Assim vai a saude em Portugal

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Mistério do quarto 311 (parece anedota mas não é!)

Assim vai a saúde em Portugal...

Se não fosse trágico seria para rir... só cá nesta terra, mesmo!

O mistério do quarto 311 do Hospital D. Pedro em Aveiro (facto verídico). Durante alguns meses acreditou-se que o quarto 311, do hospital Dom Pedro em Aveiro, tinha uma maldição. Todas as sextas-feiras de manhã, os enfermeiros descobriam um paciente morto neste quarto da unidade de cuidados intensivos.

Claro que os pacientes tinham sido alvo de tratamentos de risco mas, no entanto, já se não encontravam em perigo de morte.

A equipa médica, perplexa, pensou que existisse alguma contaminação bacteriológica no ar do quarto. Alertadas pelos familiares das vítimas, as autoridades conduziram um inquérito. Os utentes do 311 continuaram, no entanto, a morrer a um ritmo semanal e sempre à sexta-feira. Por fim, foi colocada uma câmara no quarto e o mistério resolveu-se:

  • Todas as sextas-feiras de manhã, pelas 6 horas, a mulher da limpeza desligava o ventilador do doente para ligar o aspirador!!!
"O cérebro é uma coisa maravilhosa. Todos deveriam ter um!!!

 

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José João 20/12/2009 04:23


José João disse...

    Na net circula o que quiser
    Autor: Médico oliv.pedro@iol.pt
    Data: 19-05-2006

    Sou médico da área de cuidados intensivos e desde já lhe asseguro que isso só pode ser a mais grosseira e estúpida mensagem em circulação que algum dia possa imaginar. A internet
pode ser também, assim se prova, um gigantesco caixote do lixo onde parasitas se tentam banquetear na ignorância dos outros, com ou sem proveito directo próprio.

    Nas nossas unidades de cuidados intensivos isso jamais seria possível acontecer.

    Além do mais, aponto-lhe já alguns erros idiotas que só podem nascer de cabeças ocas e desocupadas que se dedicam a criar estes boatos.

    Primeiro: uma unidade de cuidados intensivos não está dividida em quartos; os doente permanecem todos num mesmo espaço comum, separados pelo espaço físico necessário a que não
haja contacto entre as camas. Estão todos sob observação directa de um ou mais enfermeiros, e jamais em locais de difícil vigilância observacional ou fácil e imediato acesso.
    Portanto, a patranha do "quarto 311" é a mais pura invenção.

    Segundo: se um ventilador fosse acidentalmente desligado, de imediato soariam alarmes nos aparelhos. Isso impediria que um doente ficasse sem ventilação assistida por mais que
escassos segundos, a não ser que todo o staff da unidade se tivesse ausentado...o que é, de todo, impossível. Além do mais, mesmo que ficasse, por absurdo, sem corrente eléctrica (mesmo sem o
gerador de emergência), um médico poderia facilmente ventilar um doente manualmente durante o tempo mais que suficiente para que as anomalias mecânicas se resolvessem. E se o primeiro se cansasse,
viriam os outros todos!!!

    Terceiro: não há limpeza de instalações às 6 da manhã! Por razões óbvias, o trabalho de manutenção realiza-se em horário de expediente, e todos os dias, não apenas às
sextas-feiras!!!

    Quarto: não são utilizados aspiradores nas instalações hospitalares por razões de controlo de propagação de bactérias e outros agentes infecciosos no ar. A limpeza é feita com
tecidos humedecidos no chão.

    Quinto: é de muito mau gosto chamar atrasadas mentais às senhoras que trabalham na limpeza de um hospital. Embora não tendo cursos superiores, os funcionários hospitalares deste
ramo sabem perfeitamente que não devem interferir com qualquer aspecto relacionado com os cuidados a prestar aos doentes. Sempre que algo desse género é necessário, as pessoas envolvidas informam
ou questionam os enfermeiros, ou ocasionalmente os médicos de serviço, no sentido de saber se podem ou não podem, por exemplo, mexer no doente, mobilizá-lo, dar-lhe alimentos ou água, etc.

    Parece lógico que numa unidade de cuidados intensivos isso seja ainda mais escrupuloso, e brincar com essas coisas é passar um injusto atestado de burrice a quem tem a quase
nunca agradável tarefa de limpar um hospital. Desligar um ventilador é uma aventura que nem o autor da piada, obviamente retardado, se lembraria de fazer...

    Portanto, aos muito mitos que ainda existem sobre os nossos hospitais e os cuidados prestados, há ainda quem se entretenha a lançar boatos de péssimo gosto. Esses só convencem os
incautos e os que não fazem, por razões compreensíveis, a mais pequena ideia de como funciona uma unidade de cuidados intensivos. Este é, como o próprio nome indica, o local mais intensamente
vigiado do hospital, com as funções vitais dos doentes permanentemente monitorizadas num computador central, facilmente ao alcance do enfermeiro de serviço.

    A absurda piada em circulação leva-nos a pensar o que mais não circulará por aí e que leva muita gente a acreditar nas mais perfeitas idiotices. O mesmo se passa nos media, onde
quem trabalha no meio da saúde sabe o quão elevado número de vezes as notícias são apresentadas de forma falseada e com incorrecções grotescas. A prepotência dos jornalistas não as permite
corrigir, só se interessando pela notícia espectáculo vendedora dos mais reles pasquins e dos mais variados sabonetes e telemóveis nos intervalos para publicidade.

    Lamento que um dos mais difíceis e exigentes postos de trabalho que existem, como é uma unidade de cuidados intensivos, seja desta forma parodiada, bem como, por seu intermédio,
toda a prática médica séria e competente que se faz no nosso país.

    Essa qualidade assistencial é fruto do trabalho de todos os grupos profissionais que lá exercem as suas diferentes funções.

    Devo acrescentar que não trabalho no Hospital Infante D. Pedro em Aveiro mas que conheci já Colegas que lá trabalham bem como a própria unidade. Só posso atestar a elevada
qualidade dos serviços ali prestados e o rigor profissional de quem ali trabalha.
    E por último, esta não é, salvo erro, a primeira piada a circular no anonimato da internet acerca do Hospital de Aveiro. Parece que alguém muito fraco de fibra moral está
decidido a gastar o seu paupérrimo tempo a caluniar essa nobre instituição.

    Obrigado.